Convergente

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Veronica Roth conseguiu conquistar jovens do mundo todo com sua nova trilogia distópica chamada Divergente. Depois de muito aguardo, o terceiro e último volume da série – traduzido no Brasil como “Convergente” – chegou às prateleiras causando muita polêmica e gerando opiniões mistas.
divergente 3
Título: Convergente
Título original: Allegiant
Autor: Veronica Roth
Ano: 2014 (no Brasil)
Páginas
: 528
Editora: Rocco
Comprar: Submarino | Saraiva | Americanas | Extra
A sociedade baseada em facções, na qual Tris Prior acreditara um dia, desmoronou – destruída pela violência e por disputas de poder, marcada pela perda e pela traição. Os sem-facção liderados por Evelyn agora comandam a cidade, criando outro regime opressor similar ao imposto por Jeanine anteriormente. Em meio a tanto caos, Tris e seus amigos se unem a um grupo chamado os Leais, composto por membros que vão contra o atual governo e desejam saber o que existe além da cerca.
Sempre tive adoração pela trilogia escrita por Veronica Roth e sou um grande fã do gênero distópico. Divergente – o primeiro livro da série – segue até hoje como um dos melhores que já li, com um ritmo alucinante repleto de ação e reviravoltas inesperadas. Insurgente – o segundo – também não fica muito atrás, seguindo com o mesmo ritmo frenético e emocionante presente em seu antecessor. Convergente pode ser um grande choque para quem espera encontrar este mesmo ritmo dos outros livros. A primeira grande diferença aqui é que a história passa a ser contada tanto por Tris, quanto por Tobias, que têm seus pontos de vistas alternados ao decorrer dos capítulos. Além disso, a narrativa é muito mais focada em explicações do que em cenas de ação, o que pode fazer com que a leitura seja um pouco mais cansativa do que a dos livros anteriores.
Sim, Convergente é um livro que foca-se totalmente pra explicar e responder todas as perguntas abertas anteriormente. A escritora Veronica Roth consegue concluir a história de forma surpreendente, fechando todas as pontas e dando um final a todos os personagens. Com isso, o ritmo do livro se torna mais lento e pode desagradar principalmente àqueles que não ficarem satisfeitos com as explicações em geral, como o que aconteceu com a sociedade, o que são os Divergentes e o que é o experimento de Chicago.
As relações estabelecidas entre os personagens vão se desenvolvendo cada vez mais no decorrer da história. Vemos grandes amizades voltarem a crescer – como a de Tris e Christina, e outras irem brotando aos poucos – como a de Quatro e Christina. Os personagens conseguem criar elos emocionais ainda mais profundos com os leitores, transmitindo mais sentimentos através das páginas e fazendo com que até os personagens menos carismáticos – como Peter e Caleb – tenham pelo menos um momento emocionante no livro, que pode fazer com que os leitores sintam pena ou até simpatizem com eles, afinal, todas as suas atitudes tomadas anteriormente têm explicações.
A leitura demora bastante para engatar, sendo que a primeira metade do livro é composta quase que exclusivamente por explicações e alguns diálogos que podem soar intermináveis. Já a segunda metade consegue surpreender e resgatar a intensidade presente em “Divergente”, com reviravoltas inesperadas e acontecimentos extremamente memoráveis. É justamente nesta segunda metade que está toda a polêmica e muitos dos principais problemas apresentados pelos fãs, mas pra mim ela é nada menos do que incrível. É a partir daí que vemos os momentos mais intensos e marcantes de toda a trilogia, as cenas com maior carga emocional e o veredicto de muitos personagens. E se uma atitude incorreta sua custasse a vida de um amigo? E se você quebrasse promessas importantes?  E se você se arrepender de algo muito ruim que fez na sua vida? E se você quisesse simplesmente ser uma pessoa boa e melhor? E se você quisesse ser perdoado a todo custo? E se você se sacrificasse por quem você ama? São tantas as perguntas colocadas em pauta pelos personagens que fica difícil não trazê-las para a nossa vida e tomá-las como lições.
“Existem tantas maneiras de ser corajoso neste mundo. Às vezes, coragem significa abrir mão da sua vida por algo maior do que você ou por outra pessoa. Às vezes, significa abrir mão de tudo o que você conhece, ou de todos os que você jamais amou, por algo maior.”
Essa é a hora que me perguntam se estou louco, mas pra mim a maior sucessão de acertos de Veronica Roth está na segunda metade deste livro. Com um clímax poderoso que pode arrancar lágrimas até dos menos sentimentais (e também indignar a muitos), a história de Tris se encerra aqui, não tão bem como começou em Divergente, mas ainda assim de forma satisfatória. Aprendemos muito sobre o valor do amor, da amizade, e principalmente, do perdão.  E se o clímax ainda não for o suficiente para conseguir te emocionar, quem sabe o belo e fantástico epílogo consiga fazer isso. Para todos os leitores e fãs da trilogia Divergente eu só tenho uma coisa a dizer: be brave.

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