Quem é você, Alasca?

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Oscilando entre a leveza de quem é jovem e o peso de últimas palavras de quem já não é, “Quem é você, Alasca?” é um livro divertido, brilhante e cheio de frases que você simplesmente tem que sublinhar porque parecem falar diretamente contigo, seja você o tipo de pessoa que não consegue pisar no freio ou o tipo de pessoa que não consegue pisar no acelerador.
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Título: Quem é você, Alasca?
Título original: Looking For Alasca
Autor: John Green
Ano: 2014 (Edição nova)
Páginas
:  272
Editora: Intrínseca (Edição nova)
Comprar: Submarino | Saraiva | Extra
John Green é conhecido por ter uma habilidade inacreditável de se comunicar com o público jovem. Ele não lota seus livros de gírias desnecessárias, tampouco refina demais a escrita e a deixa entediante. Os momentos profundos e engraçados se misturam – exatamente como deve ser – e isso é, sem dúvida nenhuma, o grande charme do livro.
Miles “Gordo” Halter é um garoto viciado em biografias e em últimas palavras. “Saio em busca de um Grande Talvez” – as últimas palavras de François Rabelais – é a motivação de Miles ao largar sua vida medíocre e anti-social e sair em busca de seu próprio Grande Talvez, antes da morte força-lo a fazer isso. Ele vai para Culver Creek, o internato que seu pai frequentou e que é conhecido por suas tentações, sabendo essa pode ser a melhor ou a pior decisão da sua vida. Conhecemos Coronel, seu colega de quarto, e Alasca, a garota por quem ele se apaixona imediatamente.
Uma das melhores coisas dos livros do John Green são seus personagens, principalmente o melhor amigo do protagonista, sempre presente de forma perfeita nos romances. Coronel faz as piadas certas e faz todo mundo se apaixonar por ele. Não por ele ser o melhor amigo dos sonhos, não. Ele é um babaca ás vezes, mas quem não é? O que importa é quando ele não está sendo um.Você está chateado por que te zoaram por ser novato? “Pare de se lamentar e me ajude a pensar no contra-ataque”. Você quer que eu te ajude a fazer amigos? “Não vou fazer isso por você”. Ele é nervoso e engraçado. Um nerd e um rebelde. Coronel é a pessoa certa para acabar com a monotonia da vida de Gordo, mas quem acaba com o niilismo é Alasca Young.
Alasca Young é provavelmente a personagem mais confusa já criada por Green. Você pode amá-la, você pode odiá-la, mas você não pode negar que ela é uma personagem brilhante e que. por mais que um ou dois defeitos te irritem nela, eles não poderiam ser deixados de lado, isso porque  contribuem para a confusão que Alasca Young é. Ela fuma, ela quer cuidar de crianças. Ela bebe, ela ensina Pré-Cálculo. Ela é engraçada, ela é traumatizada. Ela é altamente reflexiva, ela é incontrolavelmente impulsiva. Ela muda quem ela conhece e os lugares por onde ela passa, mas em contra partida ela muda o tempo todo também. Você não precisa – ou consegue - entender o que passa pela cabeça dela, mas você precisa observar o impacto da dela na vida das outras pessoas. “Como sairei deste labirinto?”, a pergunta feita por Símon Bolívar, perturba e persegue a jovem o tempo todo, e vai passar a perseguir você também.
Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu era garoa e ela, um furacão.
A narrativa é feita em forma de dias, fazendo contagem regressiva para algum acontecimento. Alguns dias tem um espaço maior que outros, as vezes temos vários dias consecutivos e as vezes um intervalo grande entre eles, mas de forma geral, o livro é dinâmico e fácil de ler. E quanto ao acontecimento, algumas pessoas se surpreendem, umas já imaginam e outras muitas já tem certeza (não tomar spoiler de livro famoso é dificil, vamos combinar né? Evitem spoilers nos comentários, por favor). De qualquer forma, tudo só tornou o enredo melhor ainda.
O livro é divertido em grande parte do tempo. Temos os trotes épicos, o tempo passado no Buraco do Fumo, o jogo de basquete e a entrada de Miles nas relações afetivas. Também é metafórico com muitas frases e alguns momentos de reflexão. E também é triste. A história é muitas coisas, dependendo de quem a lê, e isso é o que encanta em “Quem é você, Alasca?”. Todos já percebemos alguns dos muitos padrões de John Green – garoto conhece garota que muda tudo, colocar um amigo engraçado, um fim nem tão feliz, etc – mas quando ele cumpre sua missão de fazer o livro significar algo para o leitor, isso se torna irrelevante. O problema é que, como já disse, o livro pode ter diferentes significados para cada pessoa. Se uma obra depende do leitor para se tornar boa, há sempre o risco de acabar para alguns leitores como um romance adolescente normalzinho, mas o azar não é do autor de um livro como esse.
Somos capazes de sobreviver a essas coisas horríveis, pois somos tão indestrutíveis quanto pensamos ser. Quando os adultos dizem “Os adolescentes se acham invencíveis”, com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem quanto estão certos. Não devemos perder a esperança, pois nunca seremos irremediavelmente feridos. Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos.
No fim, “Quem é você, Alasca?” é um livro peculiar. Pode ou não ser o melhor do autor, mas como todos os outros, deve ser lido… e se tornar uma leitura obrigatória e a maior conquista que um livro pode atingir.
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